
Houve um som inaudível e ensurdecedor
Que lentamente encheu a vazia sala
Iluminada por uma brilhante cor,
Cor dourada de uma quente lareira.
Era uma melodia mágica e intensa
Como uma música bela e triste
Que transmitia a quem ouvia e sentia
A eternidade em tudo o que existe.
Um arrepio, estranha reacção esta
A um som tão puro, doce e quente
Escutado ternamente como se a orquestra
Aquela, a mais bela, estivesse a tocar.
Subitamente, alguém sentiu uma leveza
Um pulsar de vida, um diferente dia
Imaginado durante todo o tempo
Sem esperar que houvesse essa alegria.
Esse ser humano soube naquele instante
O que era o que tanto aguardava,
Aquele leve sussurro tão distante
E belo que era a própria natureza.
Sons de vida, sons dos seres humanos
Elementos essenciais da distinta beleza
Sonhadores, com forte e clara vontade
De descobrirem a pura certeza
De, enfim, possuírem o ardente calor
Que deambula, agora, noutra sala
Um pouco e bastante multicolor,
Mas toda a terna vida desejado.
A natureza sentida no som belo,
Uma passagem de um frio vento,
O qual parecia tanto um piano
Tocando lentamente. Momento
De profunda e eterna felicidade.
Repentinamente, a efémera essência
Daquele triste e pobre ser humano
Transformou-se na mais doce existência
De que existe a eternidade na música.
Oh, quão maravilhoso é desfrutar
Do sentir deste pulsar de vida
Afinal, tudo é uma melodia
Que só reside na interior fugida.
Um poema completamente diferente dos anteriores.