"Murmúrios"



Doces murmúrios são ouvidos
Do mais frio lugar distante,
Conflitos e lágrimas são vividos
Por povos moradores a jusante.


Corre gélido o rio misterioso,
Procurando, em vão, sustentar
O que o tornou curioso,
Talvez, o poder de não amar.


Murmúrios de novo, leves sussurros
Que são amarguradamente guardados,
Edificando nos corações “muros”,
Prendendo-os nos seus passados.


Oh quão difícil é “libertar”
O sonho de ver o gélido rio
Possuir o poder de sonhar
E deixar o seu toque frio…


Mistura dos frágeis murmúrios do rio
Com os sussurros da multidão,
Uma luta constante de brio
Para destruir a fútil podridão.


Por fim, o frio gelo torna-se água
Sem a mínima dúvida presente
De que desapareceu toda a mágoa,
Trazendo aos povos uma nova mente.



O sol incide na minha janela,
aquece-me e aconchega-me.
A sua luz transmite força, demonstrando o poder que
possui um elemento irracional da Natureza.
O sol alimenta a vida, mas a vida não é feita de sol, bem, talvez seja uma pequena parte, a parte que reluz…
Encadeados os meus olhos não conseguem suportar a luz muito tempo, magoa-os e eles detestam ser magoados… Vêem todos os dias desagradáveis realidades e mesmo quando se fecham são sempre atormentados.
Volto o meu rosto em sentido oposto ao sol e a tudo o que magoa, já não sinto a sua força e, aí, magoa-me ainda mais.
O que nos dá vida é o que nos mata! E o quê que eu faço quanto a isso? Vivo e incido os meus olhos bem na luz até ficarem a doer-me, se eu incidir agora, não ficarão magoados mais tarde…
Incido os meus olhos na reflexão, na luz do sol, no vento, no silencio… deposito o poder do meu olhar em tudo o que os outros não conseguem perceber…elevo-me ao infinito e anseio sempre o absoluto…
Subo cada dia um grande degrau para poder ver cada vez melhor o que se passa e o que existe abaixo de mim e apercebo-me de quantos estão a elevar-se e a quantos eu posso ser útil… e aí, eu deixo de ser apenas um simples ser que é aquecido pelo sol...